A autonomia das crianças

Atuar e fazer coisas tem um sentido pedagógico muito forte para as crianças. É dessa forma que elas aprendem, constroem seu conhecimento e se constituem como indivíduos. Nós, os pais, precisamos permitir que as crianças façam suas escolhas, sigam seu próprio ritmo, inventem suas brincadeiras e atividades. Assim, estaremos contribuindo para que elas se desenvolvam com mais autonomia.


Para dar autonomia a uma criança, precisamos estimulá-la e permitir que ela tome iniciativas. A medida em que ela for realizando atividades específicas por conta própria, estaremos estimulando esta autonomia, e não podemos esquecer de sempre observar atentamente como ela irá se portar em determinadas situações e/ou superar obstáculos.


Precisamos permitir que a criança tente fazer algo antes de fazermos por ela. Precisamos ter em mente que se ela não fizer determinada coisa, ela não aprenderá.


É preciso deixar a criança agir e ver o resultado de suas ações. Ensinar que, o que não deu certo, pode ser feito outra vez, porém se ela não tem condições de executar determinada atividade, precisamos intervir de forma natural, dizendo: “quer ajuda?” ou “a mamãe ou o papai podem ajudar”. Assim a criança se sentirá menos frustrada e entenderá que nem sempre será possível realizar determinada ação sem ajuda.


Quando meu filho estava com pouco mais de um ano, dei um brinquedo com peças de encaixe para meu filho brincar. Ele conseguia encaixar as peças, mas para retirá-las de dentro do brinquedo era necessário abrir várias “portinhas” com suas respectivas chaves.

Ele ainda não conseguia identificar a chave de cada uma das portas, então começamos a mostrar que cada chave tinha a cor da “sua porta”. Ele entendeu, mas ainda não tinha habilidade para abrir as portas, pois não tinha firmeza suficiente para encaixar as chaves nas fechaduras. Era uma frustração total para ele. Ao invés de se dirvertir, ele se frustrava e chorava.


Decidimos então pegar esse brinquedo somente quando estávamos com tempo para brincarmos com ele e sempre que íamos abrir as portas, segurávamos em sua mão e explicávamos que era preciso abrir as portas juntos. Ele se sentia menos frustrado pois estávamos brincando em conjunto desde o momento de encaixar as peças (ação que ele fazia com facilidade) até o momento de retirar as peças de dentro da caixa.


Conforme ele foi se desenvolvendo, fomos deixando ele tentar abrir as portas do brinquedo e quando ele não conseguia, perguntávamos se queria ajuda. Quando ele estava com um ano e dez meses, ele já entendia que quando não conseguia realizar determinada tarefa, poderia contar com nossa ajuda.


Para mostrarmos que muitas vezes precisamos de outras pessoas para executarmos algumas tarefas, começamos pedir para ele nos ajudar de vez em quando: para pegar frutas para fazermos um suco, ou para guardarmos alguns objetos… notamos que ele se sentia feliz em poder ajudar e enquanto realizava a ação, fica repetindo: “ajuda, ajuda”. 



Paula Guedes

Consultora Materna

Educadora Parental em Disciplina Positiva e Saúde Integrativa Infantil


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